Medo

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

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Medo

"Raphael Fortunato"

Medo, medo, vasto medo
se eu me chamasse Alfredo 
seria uma rima não seria uma vertente
Medo, medo, vasto medo
mais vasta é a minha mente.  



Como floresta medo de um incêndio
Como criança de um mero saltimbanco
Como músico medo do silencio
Como desenhista do papel em branco

Como um azadaro tenho medo da sorte
Como sonhador medo da ferida
Como matéria medo da morte
Como espírito da própria vida

Como enganado tenho medo da verdade
Como dessa verdade, medo da ilusão
Como um apaixonado tenho medo da saudade
Como dessa saudade, medo da solidão.

Como covarde tenho medo do fracasso
Como fracassado medo de ganhar
Como pessoa tenho medo de um abraço
Como num abraço tenho medo de amar

O medo tarda, mas vem cedo
Deixando torto tudo que é reto
Tenho certeza que tenho medo
e tenho medo de estar certo.

Quem Conta um Conto... [4]

terça-feira, 26 de agosto de 2008

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Mar e Ana... Histórias que nos contam na cama!


Ana é uma menina linda!

Seus olhos refletiam o frescor do oceano, seus cabelos dourados como os raios de sol...sua pele alva e macia como nuvens delicadas deslizando na imensidão.

Todas as manhãs, antes do sol acordar, Ana passeava pela praia... seus passos lentos e leves tocavam a areia úmida, sentindo a energia do solo penetrar por seus poros...abria os braços, sentindo o ar entrar e sair de seus pulmões suavemente... brincava, corria, sorria e cantava, saltava sobre as ondas como se parecesse voar.

O Mar ao ver aquela menina tão doce, transparente, percebeu a pureza que trazia em seu coração.

Sentiu suas águas frias ficarem pouco a pouco levemente aquecidas...as ondas rolavam suavemente, produzindo espumas delicadas e cristalinas... cada vez que tocavam os pés de Ana, traziam as mais belas conchas e valiosas pérolas para enfeitar e presentear seu amor.

A menina admirada com tanta beleza sentiu seu coração arder de amor e emoção...cada pulsar tal como a mais bela melodia ecoava rumo ao infinito...

Não contendo mais tanta emoção, correu em direção às águas.

O vento se transformava em uma brisa calma...tocava levemente seus cabelos e fazia carícias em seu rosto...

Finalmente Ana mergulhou nas águas cristalinas da imensidão do Mar azul que emocionado a envolvia carinhosamente, como um abraço, um beijo amoroso.

Ana sentia um amor profundo, em sua pele, seu coração, no íntimo de sua alma...e Sorria!

A felicidade havia tomado conta de si deixando-a se entregar pouco a pouco...

Suspirou...um suspiro leve, silencioso.

Uma lágrima de emoção e paz se misturava nas águas salgadas do mar, selando a união de Ana e o Mar...Em seguida, como que por encanto desapareceu...

Dizem que todas as manhãs, bem antes do sol surgir no horizonte, podemos sentir a brisa leve e perfumada, tal como a rosa mais formosa e delicada

Como Ana e o Mar...


Autora: Andréia Martins
Juiz de Fora - Minas Gerais

Quem Conta um Conto... [3]

terça-feira, 8 de julho de 2008

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Um Conto Qualquer...


Amanhece um dia. Um dia que pode ser qualquer dia, que não seja um feriado, um dia de trabalho, um dia normal.
Amanhece um homem, que pode ser qualquer homem, em uma cidade, que pode ser qualquer cidade. Um homem sem nome, com seus gestos mecânicos, monótonos, em sua vida mecânica, monótona... Amanhece meio estranho, não ouvindo o despertador. Olha o relógio que o olha intimidador, e percebe-se atrasado. Arruma-se às pressas, e pões a correr pelas ruas, pois sua casa não era tão longe assim do trabalho, mas o atraso era realmente grande. Sai pelas ruas, que poderiam ser quaisquer ruas. Tenta ser mais rápido que o tempo, é claro que não consegue. Passam pessoas, carros, concretos, vazios.
Eis que depois de uma esquina, descansa uma pedra no chão, esquecida por um poeta desses que a deixou ali. Tal homem tropeça trôpego e cai, cai, cai... Cai sobre si, cai em si. O Sol desvendando seus olhos vazios que agora iam retomando algo. Foi uma reviravolta. Que vida! Que volta a um caminho distinto, não mais de instintos maquinais. Lembra-se de seu nome, sua história, de coisas que não lembrava. Lembra-se até de coisas que ainda não conhecia. Lembra-se do Sol, do chão, das pedras, da alegria e tristeza, dor e prazer, da beleza, de sentir. Lembra-se de ser homem, de trazer no peito contrários, de ter opiniões e fazer escolhas.
Talvez a batida foi tão forte que esteja tendo alucinações, talvez tenha ficado louco. Não importa, a mudança ocorreu, graças à pedra no caminho, a pedra que era poesia pura no meio da poluição cultural.
Agora nas manhãs ele verdadeiramente amanhecerá.


Autor: Dan Junqueira
Leopoldina - Minas Gerais

Quem Conta um Conto... [2]

quinta-feira, 26 de junho de 2008

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Saudade...


Quanto tempo será que demora uma ferida para cicatrizar?
Demora o mesmo tempo que uma embriaguez por uma torturante saudade que inflama alimentada por um sentimento muitas vezes sufocado por atos impensados.
Saudade talvez seja a palavra mais egoísta achada para definir um “sentir” e por mais egoísta que seja, pode sim definir vários “sentir” diferentes: Dor, pesar, penar, arrependimento, sorriso, olhar, abraço, beijo, corpo, pele, cheiro, gosto...
Mede-se a saudade pelo tamanho de nossa experiência, pelo tanto de vivências que carregamos na bagagem de uma vida que nem sempre temos o controle total das rédeas. Sofre-se a saudade pela intenisdade dos olhares sobre os fatos, pelo doar-se a determinadas situações que as vezes exigiram muito menos do que entregamos em devido momento.
Saudade e substantivo mas pode tornar-se verbo quando conjugado com um outro substantivo que teima em posar de verbo também: a lembrança.
Lembrança do cheiro da chuva, do gosto do bolo da mãe, da presença de mãe, do cheiro de alguém, do som de alguém... Lembrança de um futuro que a gente merecia e não se pode mais alcançar, devida a mudança dos fatos.
Saudade significa deixar com estranha doçura tudo aquilo que sabemos nos fazer falta em algum momento importante ou que se torne depois, mas que sabemos estar sempre marcado nas cicatrizes deixadas. Significa olhar pras coisas com a tristeza adulta e não mais com olhinos marejados de criança. Significa aprender a conviver com o que nos é dado por outros ou pela vida. É compactar aquela avalanche de coisas que vivemos em um compactado pensamento guardado na cabeça e distribuido entre nossos sentidos vitais.
É cuidar com paciência daquilo que se cultivou por um motivo que nem sempre a gente sabe porque e que provalvelmente mais tarde, na hora da saudade, vamos nos perguntar: Por que é que eu vivi isso?
Saudade é fazer tudo, dividir, ensinar de pouquinho, é gostar de si, ter esperança e persistência sempre. É deixar de herança pra nós mesmos um sonho, uma tranquilidade de ter vivido aquilo que vai cicatrizar nossa alma e lembrar mais tarde dessas cicatrizes, sem nehuma tristeza dos fora que as vida nos dá tentando juntar uma coisa ou outra que as vezes teimamos em separar.

Autora: Lorena Otoni
Muriaé - Minas Gerais

Quem Conta um Conto... [1]

quarta-feira, 18 de junho de 2008

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CARTA AOS PRÍNCIPES

Querido Príncipe,

Não se assuste caso tenha encontrado um dragão abatido e as portas arrombadas, e não tenha encontrado deitada no leito uma princesa meiga, doce e frágil esperando
ser resgatada.

Desculpe se fui corajosa e destemida e não deixei que você provasse sua força, mas já estava cansada da solidão e ociosidade que mata qualquer um.

Como, pro meu gosto, você demorou muito, avancei furiosamente ao encontro de minha liberdade.Pedi o divórcio ao mago que me raptou, entrei na net procurei uns advogados que me informaram como entrar na justiça e logo ganhei o castelo. Depois empunhei uma espada e acabei com o dragão; cavalguei até a aldeia mais próxima ao leste. INCLUSIVE, o castelo está anunciado no leilão na iminência de ser vendido, portanto,ande logo! Ah, e mais rápido ainda porque você está invadindo uma propriedade particular e não vai querer um processo nas costas. Tô me lembrando que ainda não consegui tirar o meu nome da lista de princesas desaparecidas... não sei porque é tão difícil me descadastrar, aí sim logo em seguida poderemos nos casar.

Não fique decepcionado se não corri aos seus braços chorona e medrosa procurando proteção por temer pela vida, uma mulher inútil e submissa recompensada pela beleza. Saiba que você encontrará uma mulher inteligente, de visão, interessada, interessante e trabalhadora, e claro, sensível, romântica e carinhosa. E mais! Poderá provar sua energia lutando pela harmonia de um lar com dedicação à família. Nós poderemos ir viajando pelo mundo, caçar tesouros, lutarmos juntos,lado a lado MAS, se você príncipe, não for um guerreiro disposto a invadir o castelo dos meus sentimentos e conquistar meu coração... sua vontade perecerá pelo dragão da minha incerteza, superficialidade e afastamento, que uso para que apenas o que possui forte determinação de guerreiro consiga vencer.

Se não estiver disposto a essa aventura, tem um castelo logo ao Norte, no Vale das Montanhas com uma princesinha mixuruca.
E se estiver de saída, feche a carta e coloque-a onde a encontrou de forma que o meu verdadeiro príncipe a ache e venha em busca do tesouro perdido, nesse caso, eu.

Te aguardo ansiosa,

Princesa.

Autora: Eveline Faria Fernandes de Paula
Juiz de Fora - Minas Gerais

"Quem Conta um Conto..."

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Além de aumentar um ponto, quem conta um conto também aumenta sua própria imaginação.

Todos somos capazes de criar coisas incríveis, então deixemos de lado essa preguiça mental e vamos dar as boas vindas ao projeto "Quem Conta um Conto..."!

Aqui vários autores amadores poderão abrir suas cabeças para escrever qualquer coisa que vier na mente contribuindo para o desenvolvimento da criatividade e incentivando a leitura.

Então... mãos à obra!

Histórias sem Cabeça [3]

segunda-feira, 2 de junho de 2008

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por Orlindo Moço
"O Homem sem Pescoço".



Os Duendes da Geladeira


O ser humano, generalizando, está cada vez mais preguiçoso. Não se propõe mais a gastar seu precioso tempo com coisas aparentemente desimportantes para a sociedade colocando uma enorme venda nos olhos deixando com que tudo o que acontece em sua vida pareça estar na mais pura normalidade.

"A cada esquina existe um mistério louco para ser desvendado"!

Você nunca parou pra pensar em porque que quando abrimos um refrigerante e colocamos na geladeira, o conteúdo da garrafa, com o tempo, vai diminuindo gradativamente e nunca é culpa de ninguém da casa?! Pai, foi você que bebeu a coca-cola?! Não. Mãe, foi a senhora? Não. Se não foi eu e nem ninguém, quem foi?!

Nossa história começa em 1880, com um jovem chamado Adam Ocean herdeiro único de um exportador de salmões milionário. Certa vez em que revirava as lembranças de seu falecido pai no sótão de uma de suas humildes mansões, achou um objeto antigo de grande estranheza. "O Artefato Sagrado de Rá". Lógico que ele não fazia a mínima idéia de que aquele pedaço de madeira tinha esse nome, mas o fato é que tal objeto era nada mais nada menos que a chave do portal de um universo paralelo. Não vou relatar aqui como que Adam conseguiu abrir o portal desvendando o enigma do artefato, isso fica pra outra vez...

O portal dava acesso a um mundo muito diferente do nosso, com criaturas intrigantes e paisagens incrivelmente bonitas, um mundo onde desde as pequeninas coisas, também eram novidade. Também não irei falar muito sobre o outro lado do portal, porque ai já daria um livro inteiro. Vou contar apenas uma das incontáveis coisas que Adam fez por lá.

O refrigerante foi inventado em 1886. Sem dúvida foi um grande feito para a humanidade que trouxe tantas alegrias em todos os tipos de festas e confraternizações entre amigos. Porém o tempo foi passando e as pessoas foram perdendo a vontade de compra-los e nem toda a publicidade da época foi capaz de reverter essa situação e isso fez com que houvesse uma considerável queda nas vendas de refrigerante em todo o planeta. Em meio a essa crise, a empresa Coca-Cola, convidou todos os representantes das outras empresas de refrescos gaseificados para que fizessem uma importante reunião em que seria discutida a atitude que teriam que tomar para reverter esse gráfico decadente. Juntos, tomaram uma decisão que mudaria o rumo da história, porém de extremo sigilo, tão secreta que nem as esposas dos representantes poderiam ter ciência. Foi então que contrataram os serviços ilegais de Adam Ocean, "O Guardião do Mundo Secreto".

Adam e seus aliados começaram então a montar um sistema que mudaria a vida das pessoas para sempre (assim como é até hoje). O jovem contrabandista milionário, encontrou naquele universo paralelo uma raça de criaturas que resolveriam o problema das empresas, ele os chamava de MidMugs. Muito parecidos com duendes porém muito menores e com a capacidade de ficar inviziveis aos olhos humanos.
Enquanto isso, um grande laboratório era construído com a falsa realidade de ser um local onde se faria experimentos para novos sabores de refrigerantes, quando na verdade era inescrupulosamente um estabelecimento trivial onde psicanalistas contratados condicionavam aquelas pequenas criaturas a serem cruelmente viciadas em refrigerantes.

Com os MidMugs extremamente sucumbidos ao desejo exagerado de consumir refrigerantes, começou então a última etapa desse maldito plano.

O organizador chefe das Operações Secretas contactou todas as industrias especializadas em fabricação de refrigeradores e geladeiras daquela época e propôs um acordo extremamente irrecusável. Nada se sabe sobre esse contrato até hoje.

O fato é que a partir desse dia todas as geladeiras que são fabricadas no planeta vão para a casa das pessoas com um MidMug escravizado em um compartimento secreto, tomando todo seu refrigerante quando a porta se fecha e a luz se apaga, obrigando você a comprar mais uma garrafa...



... Quando meu avô me contou essa história eu era muito pequeno e fiquei muito estarrecido com essa nova realidade. Um dia, quando voltei da aula de reforço, peguei todo o veneno de rato que estava no armário e botei tudo na garrafa de guaraná que estava na geladeira. Na manhã seguinte, Matilde a faxineira, morreu de intoxicação. Não sabia que eram tão espertos!


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