
A face mente
mentirosa
rosa aquém
sem sentido
A mente trava,
trava a língua
em linguajar
de jargões perdidos.
Não é leve
nem pesado
mas espreme a alma
como suco.
Suculento,
pouco veloz
não me acalma.
Me machuco.


"O menino passa o filme na velocidade X16 em busca de algo que nem mesmo ele sabe o que é...”
É assim que vamos deixando pra traz toda a história. Corremos com tempo e tudo passa despercebido. Os diálogos são curtos e sem importância. As atitudes secas e sem sentido. E tudo passa tão rapidamente... O desanimo é proporcional à velocidade em que as imagens correm. Elas correm de nós enquanto fugimos de nossa própria realidade.
E depois? Chegam os créditos. Cessam as imagens, os sons, os diálogos, as músicas e os romances. Podemos, por direito, nos aventurar em novos filmes, mas cientes do tempo anteriormente desperdiçado. Desperdiçado em um filme que não sabemos dizer ao menos qual era o titulo, o elenco e sua razão, o que aprendemos e o que nos atraiu. Uma coleção de imagens distorcidas e sem validade instrutiva. Borrões inúteis em mentes ociosas, fúteis e doentes. Tudo agora é apenas um passado vazio com uma estranha sensação nostálgica daquilo que nunca aconteceu. Um filme neutro, transmitido uma única vez sem a dádiva de um replay.
"Num lampejo de consciência o menino se assusta com a situação em que ele se encontra e imediatamente PAUSA o filme.”
"Por um breve momento ele se isola em seus pensamentos mais profundos. O mundo pára e tudo o que resta agora é apenas ele e suas circunstancias. O garoto então se vê refletido num enorme espelho com os olhos fundos e a cabeça vazia, reconhece ali a situação doentia e estagnada em que se encontra. O existir é incerto e os objetivos invisíveis."
"Eis que surge em cima de sua cabeça uma pequena faísca, depois outra e mais outra e quando ele se deu conta uma enorme chama já era realidade e aumentava em uma velocidade absurda na medida em que seu coração palpitava. Ao término ele já estava no meio de um gigantesco furação de fogo oriundo de seus próprios pensamentos. O calor, cada vez mais forte, alimentava sua vontade de viver até que ele, de repente, volta a realidade.
"Com idéias na cabeça, o coração eufórico e cheio de pensamentos claustrofóbicos loucos para se libertarem de sua cabeça ele pega o controle remoto, mira lentamente para a televisão e pronto."
"Ele assiste o filme agora em Stop Motion!"
a beleza esta nos detalhes.

É cada vez mais difícil a comunicação através das metáforas quando as mesmas ja não mais dão conta da tarefa a qual as confiei no dia em que decidi me jogar no penhasco da literatura. Confesso, a culpa é minha.
Preso em pensamentos nebulosos que me aprisionam numa claustrofóbica viagem ao nada infinito, um grito calado pulsa na mente que se esvai lentamente no silêncio impiedoso que transpira do meu relógio.
uma encruzilhada onde todos os caminhos que sigo não vão pra absolutamente lugar nenhum e sempre voltam para o ponto de partida num ciclo sem fim, assim, enfim, sem mim. Não estou lá, nem aqui e em lugar nenhum.
Volto então a ser o centro de minha atenção e regurgito as poucas lembranças da minha vida que guardo comigo; não a sete chaves e sim a sete pecados capitais. Observo cenas incompletas daquele que se inspirava em outros claustrofóbicos sugando toda a sua essência de uma forma silenciosa e vampiristicamente fatal. O tempo como pior inimigo àquele em que tudo que fazia baseava se num reflexo condicionado daquilo que ele não era. As mascaras nunca caíam, pelo contrário, fundiam naquele rosto cada vez mais intensamente tornando aquele pseudo ator em uma marionete controlada por seu subconsciente já, febril e descontrolado.
Eram tantas camadas de mascaras que a sua essência se perdeu e então uma falsa identidade foi se fortalecendo dando aquele ser uma denominação incomum: O ímpar formado de pares.
é exclusivamente nessas horas que me recordo, por um breve instante, que por traz de tantas faces tortas está esquecido um garoto inocente, sonhador, assustado e agora, quase mudo.
E a culpa? Ela sempre foi minha

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